Há uns três anos atrás, quando eu não fazia ideia do que eu deveria fazer de minha vida e estava me afogando no meu mestrado em Letras, meu marido me perguntou o que eu gostaria de fazer se eu não precisasse ganhar dinheiro.
"Se você ganhasse na loteria hoje, e não precisasse mais trabalhar para ganhar dinheiro, o que você faria?" - ele disse
Respirei fundo e senti uma pontada na boca do estômago, pois eu sabia que não tinha a menor pista sobre o que eu queria “ser quando crescer”. Na hora, respondi que não sabia, mas que, talvez, comprasse muitos imóveis e os colocasse para alugar para viver de renda, sem ter que trabalhar muito. Soou como se eu fosse uma grandessíssima preguiçosa, mas o fato é que eu realmente não sabia. Algum tempo depois, procurei orientação vocacional com uma psicóloga... foi lá que eu avistei o caminho que me levou à gastronomia.
Hoje eu sei que, se eu ganhasse na loteria, eu iria trabalhar muito, em um restaurante meu... continuaria estudando, me aperfeiçoando, fazendo cursos, comprando livros e mais livros da área (sabia que eles são caríssimos?). Mas ganhar na loto é algo quase impossível, principalmente considerando que eu raramente jogo.
Bem, por que eu estou escrevendo isso mesmo? Ah... porque quando eu li o último post, ficou parecendo que eu sou uma pessoa meio mercenária, quando falei que quem trabalha de graça é o sol. Acho que não fui muito clara quando escrevi aquilo. Na verdade, o que eu quis dizer é que, pelo que eu andei pesquisando a respeito do mercado de crítica gastronômica, não dá para eu largar meu emprego de professora e passar a batalhar por isso, nessa área específica, pois a cultura brasileira ainda não vê o crítico gastronômico como um profissional de gastronomia, mas sim como um jornalista (o que eu não sou) que entende de comida, ou porque cozinha um pouco, ou porque gosta muito de apreciar uma boa comida e tem experiência com isso. (É PRECISO ENFATIZAR QUE EU ESTOU FALANDO ISSO COM BASE NO QUE EU ANDEI OUVINDO A RESPEITO. CONVERSEI COM OUTRA ESTUDANTE DE GASTRONOMIA, TAMBÉM PROFESSORA, QUE JÁ FEZ ALGUMAS PESQUISAS NA ÁREA DA CRÍTICA GASTRONÔMICA, E FOI ISSO QUE ELA DESCOBRIU.)
Então eu volto ao ponto em que defino que quero trabalhar na área de gastronomia, mas tenho meus compromissos, meus filhos para criar, e, mesmo sabendo que estarei me realizando, fazendo algo que amo, preciso ganhar dinheiro com isso, afinal, realização profissional é ganhar dinheiro fazendo o que se ama. Estou certa ou estou errada?
segunda-feira, 10 de maio de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Vamos falar de comida...
Depois de quase um ano de criado, resolvi dar a esse blog o destino que ele merece. Resolvi falar nele sobre um tema que eu amo: comida.
Da última vez que eu escrevi, comentei que estava novamente no lugar de aluna. Pois é... agora sou aluna de gastronomia. E pretendo seriamente deixar a sala de aula dos cursos de Licenciatura em Letras (sim, eu sou professora) para trabalhar com o que eu tenho AMADO fazer: comida!!!!
Inicialmente, adianto que não sou crítica gastronômica. Pelo que soube, é costume, no nosso país, que jornalistas façam esse trabalho, mesmo quando esses não têm formação em gastronomia. Também soube que muitos dos que escrevem para revistas especializadas na área o fazem porque gostam e não recebem nem um centavo para isso. Bem, eu amo comida... amo cozinhar e estou amando estudar tudo o que tenho visto, mas quem trabalha de graça é o sol, paradinho no Universo, só emitindo calor e luz. No mais, pretendo comentar sobre minhas descobertas, minhas opiniões, meu gosto pessoal, minhas dúvidas dentro dessa área. E hoje eu já trago uma dúvida: o que faz com que alguém que sempre acertou a fazer um prato passe a errá-lo totalmente?
Colocando em exemplo claro: antes, eu fazia um bom bolo de cenoura. Macio, aerado, saboroso, leve. Minhas colegas gostavam tanto que passaram a encomendar para as reuniões pedagógicas. Então, um dia, o bolo solou... e nunca mais eu fiz um bolo de cenoura que não ficasse com aquele aspecto e aquela textura compactada e úmida demais como dos bolos de aipim e carimã. Mudei a marca da farinha de trigo, testei novas receitas, comprei balança de precisão, solicitei regulagem do forno... tentei. E desisti de fazer esse bolo. Mas não me conformo com isso. Onde já se viu? se ao menos eu nunca tivesse feito tal iguaria, vá lá. Mas eu fiz milhões de vezes. Acho que faço esse bolo há mais de 10 anos!!!
Ainda é um mistério. Será que alguém pode perder o mojo para algum preparo? Pensei que o tempo, a prática e a experiência levasse à perfeição. Agora não sei mais de nada.
Da última vez que eu escrevi, comentei que estava novamente no lugar de aluna. Pois é... agora sou aluna de gastronomia. E pretendo seriamente deixar a sala de aula dos cursos de Licenciatura em Letras (sim, eu sou professora) para trabalhar com o que eu tenho AMADO fazer: comida!!!!
Inicialmente, adianto que não sou crítica gastronômica. Pelo que soube, é costume, no nosso país, que jornalistas façam esse trabalho, mesmo quando esses não têm formação em gastronomia. Também soube que muitos dos que escrevem para revistas especializadas na área o fazem porque gostam e não recebem nem um centavo para isso. Bem, eu amo comida... amo cozinhar e estou amando estudar tudo o que tenho visto, mas quem trabalha de graça é o sol, paradinho no Universo, só emitindo calor e luz. No mais, pretendo comentar sobre minhas descobertas, minhas opiniões, meu gosto pessoal, minhas dúvidas dentro dessa área. E hoje eu já trago uma dúvida: o que faz com que alguém que sempre acertou a fazer um prato passe a errá-lo totalmente?
Colocando em exemplo claro: antes, eu fazia um bom bolo de cenoura. Macio, aerado, saboroso, leve. Minhas colegas gostavam tanto que passaram a encomendar para as reuniões pedagógicas. Então, um dia, o bolo solou... e nunca mais eu fiz um bolo de cenoura que não ficasse com aquele aspecto e aquela textura compactada e úmida demais como dos bolos de aipim e carimã. Mudei a marca da farinha de trigo, testei novas receitas, comprei balança de precisão, solicitei regulagem do forno... tentei. E desisti de fazer esse bolo. Mas não me conformo com isso. Onde já se viu? se ao menos eu nunca tivesse feito tal iguaria, vá lá. Mas eu fiz milhões de vezes. Acho que faço esse bolo há mais de 10 anos!!!
Ainda é um mistério. Será que alguém pode perder o mojo para algum preparo? Pensei que o tempo, a prática e a experiência levasse à perfeição. Agora não sei mais de nada.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
ANO NOVO
Começamos mais um ano. Só que dessa vez, meu sentimento é estranho... Distinto de qualquer outra sensação que já experimentei nas 31 viradas de anos que já vivi. Desta vez, eu não estava tão romântica, tomada de esperança... Não pulei ondas, não comi lentilhas ou uvas... Só joguei uma flor no mar, mais pela empolgação de minha filha e meu marido do que por mim mesma. Se fosse uma opção unicamente minha, teria ficado no conforto de minha caminha, dormindo bem tranquila... Afinal, é mais um dia que acaba e outro que começa.
Nessa virada, finalmente consegui senti aquilo que minha razão já me alertava há muitos anos: a virada do ano é apenas um dia que passa... no dia seguinte, tudo está exatamente igual ao que era... E provavelmente pouca coisa vai mudar.
É claro que, falando assim, parece que sou uma pessoa muito amargurada e ingrata... Isso não é verdade. Olho para o ano de 2009 com muita gratidão e orgulho de todas as realizações alcançadas. Acho que descobri a minha profissão, dei a largada nesse caminho, passei a conviver melhor com as opções erradas de minha vida acadêmica na área de Letras, inclusive compreendendo o percurso que fiz. Mas não estou achando que 2010 será melhor do que 2009. Vai ter eleição. e, pior, vai ter copa do mundo... Ou seja, pode ser que seja uma grande merda!!!
Tomara que não.
Tomara que não.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Começar e recomeçar...
Tem sido uma experiência única, depois de tantos anos, deixar a posição de professora e voltar à posição de aluna. A sensação é confusa, mas é boa. Talvez agora eu seja uma aluna bem diferente daquela de doze anos atrás (Nossa! Já faz tanto tempo que eu ingressei numa universidade pela primeira vez!!!). Talvez agora eu me estresse menos, me preocupe menos com os resultados e me preocupe mais com a qualidade do que eu estou fazendo. Talvez agora eu aproveite melhor o que os professores têm a oferecer. Talvez agora eu realmente enxergue um futuro de realização profissional que antes não conseguia ver.
A verdade é que eu estou amando tudo.
Sinto ter me encontrado. Acho que estou no caminho certo. Certeza, não consigo ter... Deve ser um defeito meu, possivelmente incorrigível.
Não posso dizer que não há receios, nem dúvidas, muito menos medos... Mas estou disposta e empenhada a ir até o fim para ver no que vai dar.
E se eu fechar meus olhos, respirar fundo, consigo me ver usando dolman branquinho, concentrada (um desafio para mim) no que eu estiver produzindo... Então, com os olhos ainda fechados, eu desejo que isso realmente aconteça!
A verdade é que eu estou amando tudo.
Sinto ter me encontrado. Acho que estou no caminho certo. Certeza, não consigo ter... Deve ser um defeito meu, possivelmente incorrigível.
Não posso dizer que não há receios, nem dúvidas, muito menos medos... Mas estou disposta e empenhada a ir até o fim para ver no que vai dar.
E se eu fechar meus olhos, respirar fundo, consigo me ver usando dolman branquinho, concentrada (um desafio para mim) no que eu estiver produzindo... Então, com os olhos ainda fechados, eu desejo que isso realmente aconteça!
sábado, 30 de maio de 2009
Comecei....
Estou recomeçando a escrever.... E ainda não sei sobre o que falarei... Provavelmente vou falar sobre um bocado de coisas, afinal tenho a boca grande e gosto de falar muito....
Portanto, bem-vindas sejam as palavras que direi...
Portanto, bem-vindas sejam as palavras que direi...
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